Parece que J.J. Abrahms e equipe fizeram história mais uma vez. Depois de lançar na surdina o trailer de “Rua Cloverfield, 10” no intervalo do SuperBowl de 2016 e este vir a estrear pouco tempo depois nos cinemas, eis que mais um filme da franquia surge do nada para pegar todo mundo desprevenido. A tática desta vez foi ainda mais ousada. Anunciaram o teaser no intervalo do evento de maior audiência dos Estados Unidos mais uma vez… sendo que não foi para informar a data, mas sim para dizer que o filme já estava pronto e disponível de madrugada no catálogo da Netflix!

No caso deste novo “The Cloverfield Paradox“, uma co-produção da Netflix e Paramount, a trama se aproveita do crescente interesse da audiência da plataforma de streaming por mais histórias de ficção científica e focaliza grande parte de seus minutos no espaço. Mais precisamente em uma estação espacial que abriga um acelerador de partículas que visa gerar energia para alimentar a Terra em um período de crise de abastecimento elétrico.

Os cientistas e engenheiros na órbita da Terra estão com a missão de fazer o acelerador Shepard trabalhar direitinho para depois voltar ao planeta. O problema é que uma coisa com este grau de complexidade dificilmente funciona de primeira. Sendo assim, a missão que deveria ser de pouco tempo, demora bem mais que o previsto fazendo com que todos os astronautas a bordo, de diferentes nacionalidades (incluindo até um brasileiro), comecem a se estranhar. A coisa, no entanto, degringola de vez quando o Shepard é acionado e uma série de acontecimentos estranhos são desencadeados.

Ao lidar com realidades paralelas, portais interdimensionais, ameaças de monstros e o já temido terror que vem do confinamento espacial, “The Cloverfield Paradox” apresenta um bom resultado advindo deste universo expandido. Se no primeiro temos um filme de monstros e ação e no segundo temos um bom filme de suspense e mistério, esta terceira produção da franquia tenta apresentar uma nova visão sobre o que provocou ou não a invasão alienígena na Terra.

Supostamente o filme se passa pouco antes da história que cerca o primeiro “Cloverfield” e dá margem a certas interpretações. No entanto, ao lidarmos com questões que envolvem dimensões alternativas, nada é aquilo que aparenta ser, podendo confundir e alterar a cronologia do que veio antes e do que virá depois nesta franquia. [Notem o esforço todo aqui em não dar spoilers, uma vez que o roteiro é bem amarradinho e dar mais pistas do que acontece estragaria a experiência]

O fato é que apesar de ter clichês típicos de filmes do gênero, esta nova produção é bem vinda e trata bem o material original. O risco de ter novas produções da franquia agora só deve aumentar de acordo com a receptividade do público, mas pessoalmente creio que depois de três filmes, “Cloverfield” deveria logo virar série para saciar a sede dos fãs e de quem se interessa nos desdobramentos do caso.