Sabemos da dificuldade de encontrar filmes de horror e terror com qualidade, mas nos últimos 5 anos, filmes como Hereditário, A Bruxa, Corra, IT – Capítulo 1, entre outros vem melhorando a percepção do mercado para algo mais alternativo, ou seria o suspense raiz saindo da toca?

O diretor e escritor Ari Aster nos entrega uma obra prima do medo, cheio de referencias e reflexões profundas que levamos para o nosso dia a dia. Hereditário conta a história de uma família que após a morte da reclusa avó, os Graham começam a desvendar algumas coisas. Mesmo após a partida da matriarca, ela permanece como se fosse uma sombra sobre a família, especialmente sobre a solitária neta adolescente, Charlie, por quem ela sempre manteve uma fascinação não usual. Com um crescente terror tomando conta da casa, a família explora lugares mais escuros para escapar do infeliz destino que herdaram.

Marinheiro de primeira viagem

Foi a primeira vez que Ari Aster escreveu e dirigiu um longa metragem com orçamento para um lançamento mundial. Não fez bonito, ele foi perfeito! O tom melodramático da família, o sombrio lado obscuro de cada personagem é perceptível desde o primeiro momento em que a película é lançada. Hereditário foi feito para levar o espectador ao inesperado. Tudo no seu momento certo e com a explicação correta! O desenvolvimento do roteiro é tão genial que as vezes pensamos que tudo irá se perder na quantidade de informações e acontecimentos iniciais. Pequenas lacunas são deixadas para que nossa interpretação seja levada a flor da pele. Magnífico!

A deusa Toni Collette

Hereditário
Eterna dama do suspense Toni Collette como Annie Graham

Uma das atrizes mais injustiçadas pelas premiações ao lado de Helena Bonham Carter, Toni Collette já tem histórico em filmes de suspense como A Garota Má (2006), Segredos na Noite (2006), Krampus – O Terror do Natal (2015) e O Sexto Sentido (1999). Todos grandes lançamentos e produções muito bem feitas, isso sem contar as outras grandes produções que já participou. Em Hereditário, Collette dá vida à Annie Graham, filha que perdeu a mãe e precisa conviver com as escolhas que afetam seu futuro próximo e pesadelos do passado que assombram sua família. É impossível não estar ao lado do sofrimento da personagem, Annie se torna a cola de todo o enredo complexo e bem costurado de Ari Aster.

Uma família completa

elenco hereditário

Hereditário conta com o brilhantismo de Toni Collette, mas não só deste brilho vive o filme. Gabriel Bayrne que interpreta o pai Steve Graham já tinha um pé no mundo das trevas quando interpretou o próprio Tio Lú em Fim dos Dias (1999) e no mesmo ano se redimiu com o famoso Padre Andrew em Stigmata (1999). Steve sofre com sua família entrando em colapso devido a vários acontecimentos que destroem não somente o lar em que vive, mas a psiquê de seus amados familiares. Nunca tinha escutado o nome de Alex Wolff antes de Jumanji – Bem vindo a selva, onde fez uma pequena participação, mas em Hereditário, no papel de Peter Graham, Alex pode nos mostrar seu grande potencial para papeis mais complexos. Charlie Graham é a peça chave na trama que se desenvolve em Hereditário e para isso, a escolhida foi Milly Shapiro. Com um olhar triste e profundo, Charlie nos enche de esperança para arranca-lo da forma mais brutal possível durante o enredo. Ann Dowd chegou a sua glória com a série de sucesso The Handmaid’s Tale como Tia Lydia, mas no longa, dando vida a Joan, Ann nos convence que o bem pode existir em seu coração, até ser revelado algo macabro que envolve todos aos seu redor.

Uma conclusão épica

Eu não curto muito usar a palavra épica por ela ter sido banalizada nestes últimos anos, porém, não consigo me expressar de outra forma. As reviravoltas de Hereditário são gloriosas mostrando o que um bom roteiro e um diretor que sabe o que faz, muitas vezes consegue entregar algo fenomenal, muito a frente de vários filmes consagrados.

2018 já tem sua marca registrada, um dos melhores filmes do ano e que sá dos últimos 10 anos!